O vídeo acima possui uma mensagem simbólica muito forte e um ensinamento fundamental sobre o seu comportamento, seus hábitos, conflitos internos e decisões sobre a sua vida.

Antes de falar sobre o simbolismo e o ensinamento do vídeo, vou descrever o lado concreto do que você vai assistir.

De um lado temos um animal (cervo) e do outro temos um humano (fotógrafo). No entorno temos pessoas (turistas) que observam, sem entender o que está acontecendo. As pessoas não sabem se o fotógrafo está trabalhando ou se está em perigo. O fotografo não pediu ajuda e com isso todos ficaram assistindo para entender o que estava acontecendo.

No final do vídeo, o socorro só veio quando surgiu um motorista em um carro branco que avistou o fotógrafo em pé diante do animal. Estar em pé fez a diferença e sinalizou a situação de perigo. Assista ao vídeo primeiro, mas tente não fazer julgamentos. Apenas sinta o que está acontecendo, como se você estivesse no lugar do fotógrafo, depois, leia o artigo.

Batalha interior

Essa batalha entre o animal e o humano também acontece dentro de você todos os dias. Imagine como se o cervo e o homem fossem duas metades de um mesmo ser.

Fisicamente você é tão animal quanto o cervo do vídeo. A ciência, baseada na genética, afirma que você vive no corpo da única espécie animal viva do bípede do gênero Homo (fonte). Nossa estrutura biológica é muito semelhante a de qualquer mamífero. Na fase embrionária, compartilhamos as mesmas etapas de desenvolvimento que observamos em várias espécies (veja aqui).

Mentalmente, também temos uma mente animal instintiva como a que move o cervo do vídeo. Só que além dessa mente animal, você também possui uma mente humana dotada de consciência e racionalidade. É essa consciência que trava uma batalha diária dentro de você. Essa batalha interna é muito parecida com a batalha do vídeo.

Nem sempre o que a sua mente animal deseja fazer é o mesmo que a sua mente humana acredita que pode e deve ser feito.

Diante disso, iniciamos um conflito como o do vídeo, só que dentro de nossa mente. A mente animal defende interesses, desejos e vontades concretas de um corpo biológico que busca prazer e foge da dor. A mente humana defende interesses, desejos e vontades que fazem parte de uma essência humana que define aquilo que você é.

Mau hábito do animal interior

O cervo que aparece no vídeo desenvolveu um mau hábito por culpa dos visitantes do parque. Ele aprendeu que os veículos, as bolsas e mochilas dos humanos estão cheios de uma comida muito saborosa que não existe na floresta. Isso o habituou a procurar os humanos como meio de obter alimento saboroso, rápido e fácil. Toda mente animal está programada para adquirir hábitos que possam atender a lei do prazer imediato pelo menor esforço. O lado animal da nossa mente funciona exatamente da mesma forma. Adquirimos inúmeros maus hábitos durante a nossa vida que estão relacionados com a obtenção de uma satisfação rápida e fácil.

Assim como a criança se diverte alimentando o animal (no vídeo logo abaixo), nós também nos divertimos desenvolvendo maus hábitos no nosso animal interior. Muitas vezes fazemos isso como crianças, sem compreender as consequências dos nossos atos. Clique na figura para assistir ao vídeo.

Diversão enquanto criamos o mau hábito em uma mente animal
Os visitantes do parque se divertem levando alimentos para os animais selvagens, sem a consciência clara de que estão formando um mau hábito na mente desses seres. Acreditam que estão fazendo o bem. O animal recebe o alimento como um bem, mas no longo prazo esse tipo de hábito resultará em sérios problemas.

Quando o cervo encontra um humano frágil portando uma mochila que exala cheiro de alimentos (como no primeiro vídeo deste artigo), a sua mente animal ordena que o cervo lute por esse alimento. Se esse humano fosse grande e de aparência perigosa, a mente animal ordenaria a fuga do cervo. Fugir e lutar são os dois padrões básicos de comportamento que está em todos os animais e também dentro de nós.

Nosso lado animal também toma decisões agressivas que nos envolve em lutas, brigas e discussões sem sentido. O nosso animal interior também nos faz fugir e sentir medos de coisas que não fazem sentido. Esse animal interior nos faz buscar uma zona de conforto, um lugar agradável e cômodo onde ficaremos confortavelmente paralisados.

Quando falta o julgamento e a ação da consciência na vida das pessoas, muitas se comportam como predadores dos próprios humanos. As penitenciarias do mundo estão repletas de pessoas que a sociedade colocou dentro de jaulas, como se realmente fossem animais perigosos, movidos por uma mente animal predadora que desconhece valores que só a consciência humana possui.

A mitologia grega representava os seres humanos, com seu lado animal e humano em um único ser, através da figura do centauro. Os centauros comuns eram considerados seres beberrões, indisciplinados, delinquentes e violentos. Utilizavam a inteligência para satisfazer seus instintos animalizados. Quíron (na figura acima) era um dos poucos centauros que utilizava a razão, consciência e inteligência para controlar o seu lado animal. Isso o tornou um centauro forte e poderoso (força animal servindo uma consciência humana). Quíron se tornou civilizado e bondoso. Ele foi responsável pela formação de vários heróis da mitologia como Aquiles, Teseu, Heracles e outros.

Nos dias de hoje, certamente você tem mais medo de ser atacado por alguém no meio de uma rua deserta e escura do que de ser atacado por um animal selvagem. Conseguimos afastar os animais selvagens das grandes cidades com muita facilidade. O difícil tem sido conseguir identificar quando as pessoas estão agindo movidas pelo seu animal interior, sem a presença de uma consciência humana no controle dessa força animal.

A mente animal ordena a satisfação imediata dos nossos desejos mais primitivos e passamos a nos comportar como o cervo do primeiro vídeo. Já a nossa consciência humana interfere nesse processo julgando se as vontades da mente animal fazem algum sentido. A consciência avalia as consequências dos atos. A consciência considera as normas sociais e legais, as questões morais e éticas, as consequências positivas e negativas para nós e para os outros diante de cada decisão. Pelo menos, na teoria, é assim que deveria ser.

O fotógrafo que aparece no vídeo tem grande experiência no trabalho de fotografar animais selvagens e tudo que ele faz durante o vídeo é parte da técnica necessária para fugir daquela situação sem ferir o animal. O animal interior do fotógrafo queria lutar (ferir o cervo) ou fugir, mas a mente humana estava trabalhando para encontrar a melhor solução para aquela situação. Existiam vários veículos no entorno do fotógrafo prontos para atropelar o cervo caso o fotógrafo sinalizasse que estava precisando de ajuda. Provavelmente existiam motoristas portando armas, pois pessoas que vivem nessas localidades repletas de cervos e ursos costumam portar armas.

O cervo que apareceu no primeiro vídeo é incapaz de avaliar tudo isso. Ele apenas desejava o alimento dentro da mochila do fotógrafo. Se fosse necessário, o cervo mataria o fotógrafo para conseguir o que queria. É isso que a natureza do animal selvagem ordena, sem qualquer julgamento de valor, sem julgamento se o ato é bom, mau, certo, errado, justo ou injusto. Esses julgamentos só podem ser feitos pela consciência humana.

O cervo é incapaz de avaliar as consequências dos seus atos. Infelizmente, o destino real desse cervo que apareceu no primeiro vídeo foi o sacrifício. Os administradores do parque onde ele vivia tomaram a decisão de sacrificar o animal, pois diversos casos de ataques contra visitantes já tinham sido registrados envolvendo o mesmo cervo. Um acidente mais grave seria uma questão de tempo.

Muitos se revoltaram e foram contra essa decisão de sacrificar o animal. Por um lado, a revolta da população faz sentido, afinal de contas, os visitantes é que estavam se comportando da forma errada. Pela diversão de alimentar os animais, as pessoas estavam formando maus hábitos em seres selvagens que não podiam fazer nada que não fosse obedecer a uma mente animal.

Já sabemos que também temos um lado animal dentro de nós. Como estamos tratando esse nosso animal interior?

Será que por diversão também estamos permitindo a formação de maus hábitos neste animal que vive em nós? Quantos maus hábitos você adquiriu durante a sua vida que resultaram em prazeres e satisfações imediatas dos seus desejos, mas que também resultaram em consequências negativas no futuro.

Vou citar alguns exemplos de maus hábitos que afetam o nosso animal interior.

Pense nos maus hábitos relacionados com o uso do dinheiro. Quando o assunto é ganhar dinheiro, muitas vezes corremos atrás do dinheiro com tanta agressividade que não nos importamos conosco e com os outros. Imagine o vendedor que encara seus clientes como um predador encara suas presas. Imagine o político que encara seus eleitores como um lobo encara um rebanho de ovelhas. Imagine o empresário que lida com seus consumidores como animais que podem ser viciados nos produtos que ele produz. Imagine o profissional que passa por cima do colega de trabalho como o animal que luta pelo domínio de um território.

Quando o assunto é gastar dinheiro, o animal interior também está presente. Tomamos decisões financeiras movidos por instintos e pelas emoções mais primitivas. Nem sempre usamos a razão durante as compras. Focamos muito no prazer imediato proporcionado pelas coisas agradáveis e confortáveis que o nosso dinheiro pode comprar. Se o dinheiro for insuficiente, por impulso, muitos comprometem a renda que ainda irão receber através de consignados, empréstimos e financiamentos. Dificilmente existe uma reflexão sobre o impacto negativo futuro de decisões financeiras imediatistas e até instintivas.

Veja o exemplo dos maus hábitos relacionados com a nossa alimentação e estilo de vida. Nos alimentamos de muitos tipos e marcas de produtos saborosos que nos matam aos poucos. Nos viciamos em alimentos industrializados com a ajuda de muita propaganda e marketing. Nos viciamos em drogas lícitas, como as bebidas alcoólicas e em drogas ilícitas como as que financiam as organizações criminosas. Arruinamos nossa saúde, nossa produtividade e a nossa vida financeira movidos por esse animal interior através da formação de maus hábitos. Clique na figura para assistir ao vídeo:

A mente animal do cervo é incapaz de perceber que está lutando contra o reflexo dele mesmo na água. O cervo perde tempo, perde energia e muitas vezes nos comportamos da mesma forma. Desperdiçamos tempo, energia e dinheiro inutilmente movidos pelo nosso animal interior quando ele domina nossas decisões sem a interferência da nossa mente humana e consciente. 
Você sempre corre o risco de ser dominado e perturbado por esse animal interior, mas ele não deve ser preso em uma jaula. Ele não deve ser maltratado dentro de você. Não devemos formar maus hábitos neste animal interior. Esse animal interior deve ser tratado com respeito. Devemos respeitar a sua natureza. Devemos preservar esse animal interior considerando a sua natureza frágil diante da formação de maus hábitos.

O seu animal interior deve ser educado por sua mente consciente. Ele deve ser preparado para conviver saudavelmente com você e com outras pessoas. Ele deve ser respeitado e cuidado levando em consideração a sua natureza animal. Certamente você acha admirável quando encontra um animal de estimação, como um cachorro, que é dócil, amável e que respeita e atende as pessoas da casa onde vive. As pessoas que conseguem dominar esse animal interior, também se tornam admiráveis.

É isso que muitos chamam de autoconhecimento e autocontrole. Todos desejam o autocontrole, mas o controle de si mesmo é uma virtude das mais raras e extraordinárias entre os humanos. É um evento tão raro que aqueles que atingiram esse autocontrole pleno frequentemente fazem parte dos livros de história.

Podemos ter a ilusão de que nos controlamos, mas qualquer parente próximo (pais, cônjuges, filhos etc.) ou até mesmo amigos facilmente poderão nos dizer coisas a nosso respeito de que não tínhamos a menor consciência. Frequentemente nossas ações são movidas por esse animal interior, sem que saibamos disso.

É trabalho individual de cada pessoa cuidar bem do próprio animal interior, conhecendo suas características, suas limitações e o tratando de acordo com a sua natureza.

Devemos cuidar para que esse animal interior seja o nosso companheiro de jornada e não se torne um opositor. Assim ele será parte da nossa força, mas sempre dócil, leal e obediente aos comandos da mente humana, assim como o bom cavalo de um grande cavaleiro ou amazona.

O controle de si mesmo permite que você tenha o seu “lado animal” apoiando a realização de grandes objetivos, ao invés de atrapalhar, adiar e resistir contra a sua força de vontade e seus projetos de vida.

Se você gostou desse artigo, recomendo a leitura do meu novo livro Resistência: a força que se opõe a você, (visite aqui e saiba como).

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