Existe um segredo por trás da sorte e da fortuna que é compreendido por poucos. Talvez nossos ancestrais, no berço da civilização ocidental, tenham entendido esse segredo e o transformado em figuras mitológicas para facilitar o seu entendimento. Os mitos sempre foram figuras educativas, transmitindo algum tipo de ideia, ensinamento ou conceito difícil de entender por outros meios.

Os romanos, por volta de 500 anos antes de Cristo, imaginaram a existência de uma deusa mitológica chamada Fortunae (a Fortuna). Ela representava o acaso e a sorte (boa e má) e a fortuna. Antes, os gregos também imaginaram uma deusa equivalente chamada Tique que era a representação simbólica da sorte, fortuna e a prosperidade.

Um provérbio milenar, em Latim, estava presente nas mentes da população frequentavam os templos construídos para essas deusas. O provérbio era:

“Audaces Fortuna Juvat

Significa “A Fortuna favorece os audazes“. Também poderia ser: “A Fortuna favorece os ousados, corajosos, arrojados, atrevidos, destemidos ou os que não sentem medo.”

Muitas vezes essa frase vinha acompanhada com: “O bom êxito depende de deliberações arriscadas”. Ela apresentava a ideia de que as pessoas só poderiam ser favorecidas pela “deusa Fortuna” se estivessem dispostas a pagar um preço. Esse preço era correr algum nível de risco, superar algum tipo de medo relacionado com a possibilidade de cometer um erro ao se arriscar e fazer algo novo ou diferente do rotineiro. Sem isso, a deusa Fortuna não teria condições de agir. Seria como se todo aquele que se arriscasse, automaticamente estivesse “evocando” a deusa e abrindo uma possibilidade de ter sorte ou fortuna.

Imagine o cidadão que sonha ser um grande empresário, mas que não abre uma empresa. Imagine a pessoa que sonha para um cargo público, mas não faz o concurso público. Imagine o que sonha ser um grande dançarino, uma grande escritora, um grande profissional em alguma área, mas não faça o que for necessário, mesmo que isso represente um risco.

Essa pessoa não vai construir as condições para que a sorte e a fortuna possam se manifestar. Ficar em casa assistindo Netflix, jogando games ou movendo o dedo indicador de baixo para cima em uma tela de celular por várias horas, não vai criar as condições para que as coisas aconteçam.

Uma variação do provérbio é “Fortuna Eruditis Favet” que significa”a Fortuna favorece a mente preparada“. Uma mente preparada seria aquela que está pronta ser audaz ou audaciosa. Essa preparação também exige tempo, dedicação, esforço e riscos.

Muitas vezes você sabe o que fazer, já tem o preparo necessário, mas a oportunidade não aparece. Imagino que você já tenha conhecido alguém que tem o preparo para fazer algo, mas está parada, reclamando sobre falta de oportunidade e sorte. Sem audácia, sem correr algum nível de risco e sem o preparo, nada acontece. Dizem que “sorte é aquilo que acontece quando a preparação encontra a oportunidade“.

Quando você aceitar a possibilidade de fazer algo novo, inusitado, dizendo “sim” para as oportunidades que surgem, maiores serão as probabilidades da Fortuna e da sorte se manifestarem na sua vida. E não existe nada de mágico nisso que estou falando. É uma questão de probabilidade e estatística. Mitos e histórias apenas fazem “sentir o conhecimento” e não apenas saber sobre ele. Clique na figura abaixo para assistir ao vídeo e “sentir” um exemplo que ilustra essa ideia. Depois continue a leitura.



A bailarina palestina Rima Baransi, passeava com sua família pelas ruas de uma cidade italiana quando se deparou com um artista de rua, o violinista Ivo Remenec, tocando a música “Comptine d’un Autre Eté: l’Après Midi“.

O pai de Rima, que filmava tudo, a incentivou a fazer aquilo que ela amava fazer que era dançar. No primeiro momento ela se recusou. Ela disse “não” para a oportunidade. Talvez não visse tanto valor em mostrar seu talento no meio da rua. Para os romanos e gregos, o trabalho da deusa Fortuna ficaria inviabilizado, praticamente impossível sem o risco de se expor publicamente em uma situação que muitos de nós teria vergonha de enfrentar. Até mesmo a vaidade, o chão sujo da rua, a roupa inadequada e os olhos de vários estrangeiros pudessem ser boas desculpas para ela recusar a oportunidade.

O pai da bailarina não desistiu e disse em árabe: “Vamos, Rima … faça isso por mim!”.

A bailarina já tinha recusado “por ela mesma”, mas não conseguiu recusar o pedido “em nome do pai”. Por ela a resposta era “não”. Pelo pai a resposta foi “sim”. Frequentemente negamos as oportunidades quando é por nós mesmos.

Nesse encontro da bailarina com o violinista, os dois foram agraciados com a “sorte”. O vídeo viralizou e algum tempo depois os dois estavam se apresentando em grandes eventos pelo mundo. Nem sempre temos coragem de fazer o que queremos, gostamos e sabemos fazer. Sentimos vergonha, medo de errar, medo de não ter o preparo ou das condições não serem perfeitas.

Os dois artistas estavam no meio da rua, em uma situação desfavorável para dançar e tocar violino e tinham todos os motivos para não estarem se expondo ali. Felizmente, para eles, a falta das condições perfeitas para realizar o que gostavam de fazer não foi um impedimento. Os audazes que não se importaram com a autocritica e nem pela crítica dos outros e foram agraciados pela sorte ou pela deusa Fortuna.

Pouco tempo depois a bailarina e o violinista se encontraram novamente em apresentações, como a que aparece na segunda metade do vídeo na cidade de Dublin (Irlanda) diante de 5000 pessoas. Atualmente Rima Baransi estuda dança contemporânea no “Berlin Dance Institute” e é uma performer do “The People United Project” em Trier, na Alemanha.  A fortuna favorece os audazes. Seu vídeo a fez ficar conhecida internacionalmente.

Reflita sobre quantas vezes você deixou de fazer aquilo que teve vontade de fazer por sentir medo de se expor. Quantas vezes deixou de fazer o que queria fazer por acreditar que não existiam condições perfeitas ou ideais. É muito provável que nossos ancestrais estivessem certos. O segredo da sorte e da fortuna depende de um pouco de audácia. Para ter essa audácia é necessário enfrentar essa força que resiste ao nosso próprio desenvolvimento pessoal.

Se você gostou desse artigo, recomendo a leitura do meu novo livro Resistência: a força que se opõe a você, (visite aqui e saiba como).

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