Dificilmente você terá sucesso duradouro na sua vida profissional, financeira e pessoal se não for capaz de conduzir suas ações através da ética.

Ética é uma palavra que muitos falam, mas que poucos a entendem. Sem entendimento, a prática da ética no dia a dia é impossível, pois ela exige consciência e vigília.

Sem a ética o mundo retornaria para a barbárie.

Dedique alguns minutos lendo este artigo e garanto que você fará uma grande reflexão sobre sua própria vida.

O que diferencia o homem de todos os outros seres? A nossa capacidade de tomar decisões que vão contra nossos desejos e instintos mais primitivos. Essa capacidade, exclusiva dos seres humanos, muitos pensadores chamam de vontade.  Ela está baseada no uso da nossa razão e representa a nossa liberdade de agir e de sermos responsabilizados pelas consequências dos nossos atos.

É importante que você entenda a diferença entre instintos, desejos e vontades para identificar quem está guiando suas ações neste momento.

Instinto é aquela voz interior que se comunica conosco no modo imperativo, ou seja, ele não para de emitir ordens. Não é uma exclusividade humana, essas ordens estão no controle de todos os animais. Exemplos de ordens instintivas:

  • Coma;
  • Beba;
  • Corra;
  • Lute;
  • Durma.

Desejo torna a ordem instintiva mais específicas. Exemplo:

  • Coma chocolate, pois é mais gostoso.
  • Beba vinho, pois é mais divertido.
  • Durma até tarde, você merece!

A vontade é uma exclusividade humana e permite que ele escolha (liberdade) se realmente vai obedecer o instinto e se isso será feito de modo justo, injusto, bom ou mau, certo ou errado, legal ou ilegal, etc. Nós escolhemos se o que será feito será de maneira ética. Essa escolha é a base da nossa liberdade. Exemplo:

  • Não é um bom momento para comer chocolate. Desejo comer chocolate, mas vou comer uma fruta.
  • Beba água, pois você vai dirigir e não deve pôr a vida dos outros em risco.
  • Não durma mais. Levante-se agora, você precisa terminar aquele trabalho importante. Vá dormir cedo da próxima vez.

Sua mente é como um cabo de guerra. De um lado da corda existe um “eu menor”, emotivo, instintivo, egoísta e imediatista que olha apenas para o próprio umbigo.

Ele defende seus desejos, prazeres, pulsões, inclinações e tudo que está relacionado com o seu lado mais primitivo. Do outro lado da corda existe um “Eu Maior” que defende o seu crescimento pessoal, em todas as áreas, pelo caminho justo, bom e correto, mesmo que isso resulte em um desconforto diante das privações de desejos e prazeres.

Nesse cabo de guerra, o lado mais forte sempre irá arrastar o outro.

Para saber qual é o seu lado mais forte basta observar qual dos dois você está nutrindo através de ideias, pensamentos, palavras e ações que o fortificam.

Milhões de pessoas vivem literalmente arrastadas de um lado para o outro por seus desejos, sofrendo todo tipo de consequência, especialmente a dor da frustração por ter consciência da falta de controle sobre seus próprios atos.

Viver arrastado por desejos é sinal de escravidão, não é liberdade.

É fácil perceber que existe algo dentro de nós que pensa, reflete, escolhe e tenta impor nossa verdadeira vontade diante da ditadura dos instintos que nos aproximam da nossa natureza animal.

Devemos entender a ética como o domínio da nossa natureza animal para viabilizar o bom convívio entre nós e as outras pessoas.

Podemos expandir essa ideia para o bom convício entre nós e toda a natureza que nos cerca.

  • Somos éticos quando nossa inteligência, movida pela boa vontade, está no controle das nossas ações.
  • Deixamos de ser éticos quando o nosso corpo, através dos instintos, desprovido de inteligência, está no controle das nossas ações.

Agimos com mais ética quando adquirimos a consciência que nem todos os nossos desejos devem ser saciados, pois nem todos são bons, justos e corretos para nós e para os outros.

No meu outro site, Clube dos Poupadores, estou sempre falando sobre a necessidade de controlar nossos impulsos e desejos imediatistas de consumo.

Sempre mostro a importância do conhecimento para o planejamento inteligente das nossas finanças. É isso que garantirá um futuro tranquilo, abundante, livre de dívidas e de problemas financeiros.

O dinheiro não aceita desaforo por ser regido por leis matemáticas muito precisas. A falta de controle, inteligência e discernimento resulta em sérios problemas financeiros, escassez e pobreza.

Nos casos extremos de falta de ética no mundo do dinheiro, quando, além de prejudicar você mesmo, você passa a prejudicar os outros, o resultado será sempre a violência, a cadeia ou a morte.

Não faltam exemplos na nossa sociedade de pessoas de todas as classes sociais, todos os níveis de educação formal, que escolhem caminhos desprovidos de ética para atingir seus objetivos na vida.

Nossos instintos animais e desejos são fortes como um grande elefante, mas se apequenam e se curvam diante da grandiosidade da nossa boa vontade quando ela está consciente e no controle da nossa vida.

“A inteligência é o único meio que possuímos para dominar os nossos instintos” – Sigmund Freud. Foto do artista Gregory Cobert.

A diferença entre um guepardo e um homem

O que um guepardo (chita) faz quando o seu território é invadido por um intruso? Sem possibilidade de escolhas, sua natureza impõe que lute até a morte ou fuja.

O que um guepardo faminto faz quando encontra outro guepardo comendo uma presa que acabou de ser caçada? Sua natureza impõe que respeite a lei do menor esforço. Ele tentará roubar o alimento do outro guepardo.

O que um guepardo faz  diante de uma manada de antílopes? Sua natureza impõe que ele persiga e mate os antílopes pequenos, velhos ou doentes, pois pela lei do menor esforço, suas vítimas serão sempre selecionadas entre as mais fracas e indefesas.

“Princípio da mínima ação: a natureza é econômica em todas as suas ações” – Pierre Louis Moreau de Maupertuis.

E os humanos? O que as pessoas, quando movidas por instintos, fazem diante das mesmas situações que listei acima?

Elas fazem as mesmas coisas que um animal irracional faria. O torcedor fanático agride o torcedor do time rival quando ele invade o seu território. O homem, diante da lei do menor esforço e da irracionalidade dos instintos, furta, rouba e mata, seja utilizando o poder de uma arma ou o poder na ponta de uma caneta.

Da mesma forma que os animais predadores caçam as presas mais frágeis, homens desprovidos da ética são predadores de outros homens. Abusam da fragilidade e da ignorância das outras pessoas, tirando proveito disso, como se estivessem diante de presas fáceis.

O animal não é livre para escolher outro caminho a não agir segundo aquilo que seus instintos exigem.

O homem, único dotado de razão, tem a liberdade de agir segundo a sua vontade, que pode ser má ou boa vontade. Por este motivo, podemos julgar se os atos de um homem são éticos ou não, ou seja, se são bons, corretos e justos. O mesmo não pode ser feito diante dos atos de um animal, pois eles não são livres.

O que a sociedade organizada, em qualquer país do mundo, faz com pessoas que se comportam instintivamente como animais irracionais? As colocam em jaulas, não muito diferentes das jaulas destinadas aos animais nos zoológicos.

Alguém incapaz de negar as ordens que partem dos seus desejos e instintos já não é suficientemente livre. A liberdade de pensamento e ação humana se conquista através da boa educação que é o alicerce da civilidade.

Por natureza, os homens são próximos; a educação é que os afasta – Confúcio.

Conclusão:

Tudo aquilo que o homem faz além dos seus instintos para viver se chama vontade, que pode ser boa ou má.

Para terminar, faça suas reflexões sobre instintos e vontade assistindo os vídeos abaixo com imagens do fotógrafo Gregory Cobert:


Se você gostou desse artigo, recomendo a leitura do meu novo livro Resistência: a força que se opõe a você, (visite aqui e saiba como).

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Comentários

Bem depois disso, já não mais só educador financeiro, mas psicologo comportamental ou filósofo, à sua escolha.

Parabéns pelo texto.

As pessoas estão tão acostumadas a julgar a “educação” pelo poder aquisitivo e… descobrimos que nada tem uma coisa a ver com outra. Educação é assim como você ensina – domínio da consciência, do corpo. Autoconhecimento e prática dessas coisas no dia a dia.

Oi Apolinário. Obrigado por suas palavras. Sou apenas alguém que compartilha o que aprende. É por meio da educação que nos construímos. Creio totalmente nisso. Kant dizia que o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.

Parabéns Leandro. Esse novo blog está muito bom. Artigos de muita qualidade!

Por uma daquelas coincidências do destino eu li esse artigo logo depois de assistir um curto vídeo do George Lucas falando sobre a filosofia de Star Wars (o link ta no final do comentário). E acho que o vídeo tem tudo a ver com o seu artigo. Ele fala sobre o importante balanceamento entre o seu lado negro e o seu lado de luz. Que poderíamos associar com o “eu menor” (lado negro) e o “Eu maior” (lado de luz, sabedoria). Sou muito fã de star wars e dessa filosofia. Abaixo segue uma tradução rápida que eu mesmo acabei de fazer, sobre o que o George Lucas fala no vídeo, para os leitores que por acaso não leiam em inglês (desculpe-me se tiver algum erro de tradução).

Um abraço e sucesso para o blog! Tomara que seus artigos cheguem e ajudem cada vez a mais pessoas.

“O segredo, em última instancia, que é a linha de fundo em star wars e outros filmes é que existem dois tipos de pessoas no mundo: pessoas com compaixão e pessoas egoístas. Pessoas egoístas vivem no lado negro e pessoas com compaixão vivem no lado da luz. Se você vai para o lado da luz você é feliz por causa da compaixão, ajudando outras pessoas, não pensando apenas em si mesmo. Se preocupar com os outros te presenteia com algo que você não pode obter de outra forma. Ser egoísta, seguir seus prazeres sempre se entreter com seus prazeres e comprar objetos e fazer coisas, você sempre será infeliz. Você nunca vai alcançar seu verdadeiro objetivo. Você vai conseguir um curto momento de prazer, mas logo ele vai embora e você estará preso onde você estava antes. Quanto mais você faz isso, pior fica. Você finalmente consegue tudo que queria e você é um miserável.Pois não há nada no final da estrada. Ao passo que se você fosse uma pessoa com compaixão e você tivesse chegado ao final da estrada você teria ajudado tanta gente…”

Link do vídeo: https://www.facebook.com/goalcast/videos/1243131765764011/?pnref=story

PS: infelizmente não achei link no youtube, só no facebook.

Oi Giancarlo. Muito obrigado por compartilhar o vídeo e a sua tradução. O Star Wars está repleto de mensagens filosóficas e para mim sempre foi evidente a genialidade de criar um série filme direcionado para os jovens, tratando de temas filosóficos complexos, sem que o jovem perceba que está acessando essas questões que normalmente são entendidas como “uma coisa chata”. Muito da filosofia do filme está ligada ao taoismo que nasceu dos ensinamentos do filósofo Lao-Tsé (1300 a.C.). A ideia do lado negro da força certamente está ligada ao símbolo gráfico do Yin-Yang que mostra a dualidade de tudo que existe no universo. No próximo artigo vou falar sobre isso que você abordou na tradução, mas partindo das explicações do filósofo Immanuel Kant que, no meu entendimento, foi o que explicou os motivos pelos quais devemos ser éticos da maneira mais lógica e irrefutável.

Boa tarde Leandro, ótimo tema para abordagem e reflexão, afinal nenhum de nós somos perfeitos e creio que com educação e ética seriamos todos pessoas melhores em todas as áreas de nossas vidas. Aproveito para relatar um fato ocorrido comigo esse mês, há alguns dias fiz a primeira vistoria anual de meu veículo e o curioso é que com toda pessoa que eu comentava que na data “tal” iria fazer a vistoria, eu escutava “deixe R$50 embaixo do tapete” ou “vá preparado para caso haja algum problema”… de verdade, eu achava muito estranho esse tipo de “conselho” e pensava porque eu deveria fazer isso!? Fiz a vistoria e não precisei desse tipo de “facilitação” para que o carro fosse aprovado. O curioso é que vivemos reclamando que vimemos em um país corrupto mas quando temos a oportunidade de agir com ÉTICA, não fazemos e optamos por “facilitar” as coisas com R$50 embaixo dos tapetes da vida… obrigado por mais essa reflexão.

Oi Thiago. Parabéns por pensar dessa forma. Pagar R$ 50,00 para o fiscal facilitar a liberação do seu carro não seria diferente de pagar 16,5 milhões de dólares para o governador do Rio, como fez o Eike Batista, para facilitar a aprovação dos seus negócios no estado. O comportamento é o mesmo. A única diferença está nos valores.

Leandro, excelente artigo.

A ética é uma grande ferramenta, quando usado de maneira correta
constrói grandes alicerces.
As nossas ações no passado determina o que somos hoje, e as nossas
atitudes hoje vai determinar o que seremos no futuro.
A ética está diretamente ligado a verdade, honestidade, para construir
um vinculo demora anos, mas para perder é questão de segundos.

As três ferramentas que carregamos e que ninguém pode tirar
das nossas mãos sem que permitimos é EDUCAÇÃO, HONESTIDADE E ÉTICA.

Grande abraço Leandro.

Oi Tiago. Não são apenas ferramentas. Isso é a nossa riqueza verdadeira. Todo o resto é uma consequência. Você pode tirar todos os bens de um homem virtuoso (repleto de boas virtudes) que será uma questão de tempo para que ele reestruture a própria vida. Aquilo que ele tem de maior valor, não pode ser retirado. Obrigado pelo comentário.

Obrigada Leandro! Você tem me ajudado muito tanto aqui qnt no clube dos poupadores! Está realmente fazendo a diferença no meu dia a dia. Obrigada!

EU , FOI ESTUDANTE DE FILOSOFIA ( FILOSOFIA ESCOLASTICA OU TOMISTA DE SANTO TOMAS DE AQUINO )ME LEMBRO BEM DE TRES MATERIAS ” LOGICA – ETICA – MORAL ) SU RACIOCINO FILOSOFICO É MUITO BOM , PARABENS .
Balbino

Excelente artigo!Estudei ética na faculdade mas não havia ficado tão claro como agora.Gostaria de deixar uma reflexão sobre liberdade e gostaria de saber sua opinião.Fazer o que se ama ou aquilo que proporciona mais liberdade finnceira?Será possível viver o melhor dos dois mundos?(ter lberdade e fazer o que se ama).O que fazer para contornar esses desafios?
Obrigado por compartilhar conosco
Grande abraço!!!

Oi George. Procure atentamente exemplos de pessoas que trocaram a vida que levavam para fazer aquilo que elas sonhavam fazer. Quando você faz aquilo que gosta normalmente busca atingir o estado de excelência. Você sai do patamar mediano. As pessoas percebem. Isso inevitavelmente chama a atenção das pessoas. Se você tem produtos e serviços para oferecer dentro da escolha que fez, a sua dedicação e o fato de fazer com amor, faz você ganhar destaque diante de todos os outros do seu mercado. Se esse destaque for utilizado com inteligência você vai conseguir resultados financeiros elevados como uma consequência. Já quando você trabalha apenas pelo dinheiro, você tende a se acomodar em resultados medianos. O resultado do seu trabalho é mediano. Você terá resultados medianos. Só não podemos confundir o “que amamos” com alguma atividade que escolhemos apenas por serem cômodas, confortáveis, neste caso você não ama a atividade escolhida, ama a comodidade e o conforto que ela seria capaz de produzir na sua vida.

Parabéns por mais um ótimo artigo Leandro. Concordo com o pessoal acima sobre o fato de você ter um talento especial também para a Filosofia. Esse artigo, foi totalmente filosófico!

Faço aqui uma pergunta, que é uma provocação filosófica…

Quando um banco faz propaganda e marketing de suas linhas de crédito e financiamento incentivando a população a se endividar, essa ação é completamente lícita, porém seria ético considerando que a diretoria do banco sabe do atual problema de endividamento da população ???

O mesmo dilema se aplica a indústrias de fast food, cervejeiras (como a Ambev, de JP Lemman), e de tabaco que sabem que vendem produtos ruins e nocivos para a saúde humana e que viciam e tiram a liberdade das pessoas, mas mesmo assim, estão dentro da lei e vendem os seus produtos normalmente e não raramente com agressivas campanhas publicitárias. Você considera isso ético ??

Vou dar a minha humilde resposta, mas quero muito ouvir a sua e dos demais colegas que se interessarem rss.

Na minha concepção de ética, SIM, esse marketing é completamente ético! Nós estamos, (ou deveríamos estar) no controle de nossas vidas. Se assumimos um financiamento ou consumimos um produto como fast food, álcool ou tabaco a culpa é nossa e não do marketing. O capitalismo funciona com trocas voluntarias, portanto se aquele empresário não fornecer aquele produto ou serviço para as pessoas, outros oferecerão e além disso o que pode ser errado para um pode não ser pra outros, nós aqui temos a noção de que empréstimos são ruins (tema do ultimo artigo do CDP inclusive) porém para outras pessoas pode ser que o que importa é o aqui e o agora, e portanto dívidas são uma dádiva (tem até educador financeiro que fala isso rss). Tudo depende do que cada um julga mais adequado para si, isso inclusive é parte da nossa ética pessoal, e considero que seria muita pretensão nossa saber ou julgar o que é certo para todos.

Oi Yuri. Como sempre falo, banco não é instituição de ensino de educação financeira. Não é responsabilidade dele motivar ou ensinar ninguém a cuidar do próprio dinheiro. Eles oferecem produtos demandados pelas pessoas. Uma lanchonete como o Mc Donalds ou Burger king não foram criadas para cuidar da saúde alimentar das pessoas, muito menos para ensinar alguém a comer bem. Elas produzem e vendem os produtos que as pessoas demandam comprar. A ignorância de cada um é um problema de cada um. A ignorância de cada um é que demanda produtos e serviços prejudiciais para a nossa saúde financeira ou alimentar. Por isso eu acredito que a solução de todos os problemas está na educação das pessoas. Até o fato das pessoas se deixarem influenciar por campanhas de publicidade é uma consequência da ignorância. Elas desconhecem os mecanismos e ferramentas que existem no marketing. Se a população entendesse mais sobre isso certamente iria reagir negativamente diante de propagandas que são claramente mentirosas. Procure no Youtube por “comercial cigarro hollywood” e você verá como o cigarro era vendido na década de 80. Ele era relacionado com a prática de esportes. Existem agências de publicidade que se recusam a fazer campanhas de bebidas e cigarros. Eu, como pequeno investidor, nunca comprei e pretendo nunca comprar ações da Ambev. Não bebo e não fumo e estou cuidando melhor da minha alimentação. Pessoalmente não gero demanda para essas indústrias e seria ótimo se as pessoas buscassem mais conhecimento de uma maneira sistemática, contínua, durante toda a vida para evoluírem em todas as áreas. Chegaria o dia em que uma fábrica de cigarros deixaria de ter demanda ou até mão de obra interessada em trabalhar. Isso extinguiria uma atividade nociva, sem a necessidade de qualquer proibição. Por isso é importante motivar que as pessoas evoluam em todas as áreas da vida. A financeira é apenas uma delas.

Leandro, obrigado pela resposta.

Particularmente só discordo da parte “Eu, como pequeno investidor, nunca comprei e pretendo nunca comprar ações da Ambev.” Não acho errado comprar ações de uma indústria que você não concorda. Eu também não gosto de bebidas alcoólicas, mas compraria tranquilamente ações da Ambev se ela se mostrasse lucrativa.

Oi Yuri. Vejo uma fábrica de bebidas alcoólicas como uma indústria de drogas. O mesmo vale para uma fábrica de cigarros. Milhões de pessoas morrem todos os anos vítimas do álcool e do fumo. Milhões de pessoas que não bebem se tornam vítimas daqueles que bebem, como ocorre diante de acidentes de trânsito. Além disso, o álcool é porta de entrada para as drogas ilícitas e estimula o elevado índice de violência nas cidades, dentro das residências, violência contra a mulher, crianças, etc. No conjunto da obra, a indústria do álcool, do fumo, das armas, são todas diretamente relacionadas com a miséria humana. Todas exploram a ignorância humana. Se todas as pessoas tivessem um nível adequado de consciência e educação, certamente não existiria demanda para esse tipo de produto e essas indústrias deixariam de existir. Certamente um dia existiram fábricas de correntes para prender escravos (no tempo da escravidão) e equipamentos de tortura. Felizmente não existe mais demanda para esse tipo de produto, a mentalidade das pessoas mudou, e as empresas que produziam esses equipamentos deixaram de existir. Se você tem consciência disso e não sente qualquer incômodo financiando essas atividades, tudo bem, pensamos de forma totalmente diferente. Recomendo que dedique algum tempo estudando autores que falam sobre ética.

A questão levantada pelo Yuri é extremamente relevante!

Os ramos empresariais mais lucrativos são exatamente aqueles que se comportam como predadores das presas mais fáceis, tais como os ramos que você citou.

Surpreendeu-me a resposta do Yuri porque faz pensar no conceito de hipocrisia e oportunismo, pois não é ilegal ganhar dinheiro vendendo produtos/serviços que vão prejudicar as pessoas no longo prazo, ainda que eu saiba disso e eu não seja consumidor das mesmas coisas, porém é antiético eu me aproveitar da ignorância alheia.

Como você disse que o próximo artigo será sobre os critérios para se definir bom/ruim e justo/injusto, vou aguardar para maiores discussões.

Oi João. Muitas empresas não teriam investidores, consumidores e nem mão de obra se as pessoas fossem capazes de refletir e ter consciência sobre o impacto que as decisões delas (de investir, consumir ou trabalhar) podem gerar na vida de outras pessoas quando interagem com essas empresas. Isso significa que é fácil compreender a importância de manter a população em um perene estado de ignorância e distração. Quanto maior o nível de alienação, melhor para muitos segmentos de negócio que de algum forma exploram essa ignorância. Cabe a cada um lutar contra a própria ignorância.

Parabêns Leandro. Artigo de excelente qualidade.

Coincidentemente estou lendo um livro do professor Clóvis de Barros Filho, que aborda tema semelhante ao desenvolvido neste artigo. O livro é excelente, pois o professor tem uma didática espetacular para ensinar filosofia e ética para os mais ignorantes (como eu).

O nome do livro é “A vida que vale a pena ser vivida”. Acredito que você vai gostar bastante.

E muito obrigado por compartilhar um pouco mais do seu conhecimento conosco.

Oi Fred. Provavelmente o Clóvis está falando sobre a ética segundo o filósofo Immanuel Kant. Já percebi que ele é “discípulo” do Kant. Existiram muitos filósofos que escreveram sobre ética. Neste momento estou estudando o Kant. Entre os filósofos modernos (viveu entre 1700 e 1800), ele é o que explica as vantagens de ser ético da forma mais lógica, fácil de entender e difícil de refutar. Por meio da razão, sem a necessidade de recorrer a uma religião, é possível compreender as vantagens de optar por uma vida ética. Por meio da religião é fácil convencer alguém a ser ético se você impor castigos (Ex: ir para o inferno após a morte). Por meio das leis dos homens, também é fácil fazer alguém ser ético se você informar que não ser significa ser preso ou ser obrigado a pagar multas. O que mais funcionaria seria convencer alguém, por meio da razão, que ser ético é o melhor caminho, mesmo se não existissem leis, juízes, mandamentos, castigos e pecados. O Kant consegue fazer isso. Outro filosofo que estou estudando e que tem ideias sobre ética muito interessantes é o Epicteto, esse é mais antigo, viveu por volta do ano 100 depois de Cristo. Obrigado por recomendar o livro. Vou deixar o link do livro aqui para quem se interessar: A Vida que Vale a Pena Ser Vivida

Oi Leandro,

De fato, hoje em dia, o que se vê em abundância são pessoas seguindo a ética através da coerção ou alguma crença. Prova disso são os pequenos delitos que são cometidos todos os dias, por falta de um mecanismo eficiente de fiscalização.

Você poderia me recomendar algum material (vídeos, livros, etc..) sobre Kant e Epicteto?

Oi Fred. Kant é um autor difícil de entender, mas vale a pena se aventurar na leitura. Ele mesmo sabia disso e no fim da vida resumiu o pensamento dele em um pequeno livro chamado Fundamentos da Metafísica dos Costumes. O nome assusta, mas a leitura não é difícil. Como é um livro muito antigo você provavelmente vai encontrar ele gratuitamente pela internet em formato PDF. Também tem livro do Epicteto chamado O Manual de Epicteto ou o livro O manual para a vida de Epicteto.

Leandro,

Muito bom seu post e os comentários. Gostei da explanação e diferenciação entre instinto, desejo e vontade, que no meu entendimento, seguem uma gradação lógica segundo suas palavras.
Eu gosto dos videos do Clóvis de Barros Filho e também do Mário Sérgio Cortella. Boa dica de livro!

Abraços,

Oi Leandro, Bom dia !

Mais um excelente artigo seu, muito obrigado por compartilhar conosco !

Gosto muito dos posts sobre dinheiro e tambem gosto muito sobre os temas relacionados a nossas emoçoes, sentimentos e a nossa psicologia, um campo que também poucos investem assim como o dinheiro. Voce deve conhecer, mas caso nao conheça, os livros do Doutor Norberto Keppe abortam profundamente esses assuntos relacionados a nossa psicologia. São ótimos livros…fica dica e um grande Abraço

Oi Junior. Tenho um livro do Dr. Keppe onde ele fala que satisfação humana deveria do Pensamento, do Amor e do Belo e não dos estímulos sensoriais. Ele diz que o prazer vem dos sentidos e a felicidade do psiquismo.

PARABÉNS LEANDRO
Excelente abordagem, peço permissão de transcrever alguns pontos citados e apresentá-los em minhas aulas na faculdade e citando obviamente a sua referência.
Grato

Boa Tarde Leandro… No livro Ética a Nicômaco de Aristóteles o máximo que podemos fazer nessa vida é ficar na Mediania, ou seja, tem coisas boas que em excesso fazem mal e vice-versa…

Oi João. O que infelizmente as pessoas desejam, no máximo, é a vida mediana. O tamanho da nossa força de vontade, das nossas ações e das nossas obras não pode ser maior do que nós. Se somos pequenos, teremos uma vida pequena, se somos medianos, e nos contentamos com isso, teremos uma vida mediana.

Porém…eu acho que um investidor que fica sempre na Mediana do gráfico é mais Feliz do que o afoito que quer lucro a curto prazo…

Oi Leandro! Obrigada pelo artigo! O Brasil está carente de Ética e bons exemplos como o seu. Eu li a obra “Ética a Nicomaco” e o “caminho do meio” ao qual Aristóteles referia-se era o do “equilíbrio” (tema inclusive que você já tratou em outros artigos do Clube dos Poupadores, principalmente em comentários de alguns leitores radicais que se privam do essencial e básico a uma vida digna para poderem poupar enquanto deveriam investir em si. Sabe aquele negócio de cortar despesas básicas, deixar de estudar, trocar uma boa alimentação balanceada, por exemplo, por um hot dog barato, a deixar de ligar o ar condicionado em um uma noite de 40 graus para fazer economia, não conseguir dormir e depois não produzir direito durante o dia, entre outros extremismos…) Concordo com você que se o “mediano” for relacionado à “mediocridade”, temos é que nos distanciar ao máximo disso. Mas se for sobre “equilíbrio”, acho saudável para a mente, corpo e espírito mantermos uma vida equilibrada.

Ótimo artigo
A reflexão da ética de forma prática deveria ser obrigatória em nossas escolas
.. Vejo muitos ministrando o conteúdo de ética sem fazer correlação com o dia a dia

Incrível. Ministro oficinas, cursos sobre ética nas relações de trabalho e me identifiquei com teus escritos. Foi uma agradável leitura. Abraços fraternos

Saudações Mestre Leandro!
Maravilhoso site e maravilhoso artigo, como sempre!
Estou finalizando na turma 2 do curso resistência, que recomendo a todos que façam!! É um divisor de águas em nossas vidas!
Alias vai abrir nova turma por aqui? Você começou este projeto como transcendência financeira, passou para intrasenso e agora fortalece sua marca Leandro Ávila!! Gostei professor e mestre!
Um dia espero chegar bem perto do profissionalismo de seus sites, artigos e cursos!
Já estou dando alguns passos e criei o blog evoluaseuconhecimento, to engatinhando ainda mas como vimos no curso 01 passo de cada vez!
Ética tão necessária desejada mas pouco praticada em nossa sociedade brasileira… Mas são com textos e depoimentos como os dos amigos leitores que lhe acompanham é que temos esperança de mudar nossa sociedade para melhor mas para isso cada um precisa mudar a si mesmo para melhor e com esta atitude de mudar para melhor inspirar outros a fazer o mesmo!

Obrigado por tudo!

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