Quando olhamos a história, temos a impressão de que não se fazem mais pessoas geniais como antigamente.

Estamos cercados de pessoas que só conseguem resultados medianos ou abaixo da média nas mais diversas áreas da vida.

Quando observamos a vida de pessoas conhecidas por sua genialidade, logo percebemos que elas tinham um leque variado de interesses. Elas buscavam conhecimentos e aprimoramento em várias áreas da vida.

Essa diversidade de conhecimentos é que nos torna pessoas acima da média e até geniais.

No artigo anterior, falei sobre o trabalhar por dinheiro ou por amor e citei a maneira como Michelangelo encarava o próprio trabalho. Falei sobre o encantamento dele pelo próprio trabalho. Convidei você a refletir como seria o mundo, e a sua própria vida, se as pessoas conseguissem se orgulhar e se encantar com os resultados do trabalho que fazem.

O psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi entrevistou quase 100 pessoas consideradas gênios de diversas áreas do conhecimento, incluindo 14 ganhadores do Prêmio Nobel, para realizar uma pesquisa que deu origem ao livro Creativity: The Psychology of Discovery and Invention. Uma das principais conclusões da pesquisa foi a de que as pessoas geniais não são as mais inteligentes nem as que nascem dotadas de alguma característica especial. As pessoas geniais são as pessoas curiosas e determinadas.

São fascinados por seus trabalhos, embora existam outras pessoas mais inteligentes que eles, a vontade de realizar aquilo que se propuseram é o fator decisivo” diz Csikszentmihalyi.

Muitas pessoas que conhecemos se limitam a fazer o mínimo possível, com a mínima qualidade possível, para que não percam o emprego ou os clientes que possuem. Mesmo entre as pessoas mais inteligentes que conhecemos, poucas se orgulham do que fazem, muitas até evitam falar sobre o trabalho que realizam. Esforço e empenho medíocre não poderia resultar em nada além de crescimento profissional e financeiro medíocres (no sentido de medianos).

Detalhes do rosto da escultura de 5,17 metros que representa David, herói bíblico, esculpido em mármore por Michelangelo entre 1501 e 1504. Pelo seu realismo anatômico impressionante, é considerada uma das mais importantes obras do Renascentismo.

Voltando ao exemplo do Michelangelo, ele foi alguém acima da média e por isso ficou com o seu nome registrado nos livros da história da humanidade. Ele se tornou um grande nome do período histórico chamado de Renascença ou Renascentismo. Dos seus 89 anos, trabalhou por 70 anos como pintor, escultor, poeta e arquiteto.

Michelangelo foi contemporâneo de Leonardo da Vinci, outra figura genial que ficou na história. Seu leque de interesses era maior ainda. Ele realizou trabalhos como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico durante os seus 67 anos de vida.

Pessoas acima da média não limitam suas vidas em uma única área de interesse. Muitas vezes, até nos dias de hoje, essas pessoas se desenvolvem em mais de uma profissão. Elas não restringem o seu desenvolvimento e buscam conhecimentos em áreas relacionadas. O conhecimento de uma área colabora com o trabalho realizado em outra área.

No caso do Leonardo da Vinci, estudar anatomia ajudava na perfeição do seu trabalho como escultor. Estudar botânica e arquitetura ajudava a desenvolver quadros mais elaborados e realistas. Seus estudos científicos, matemáticos e da natureza colaboravam com suas invenções, projetos de engenharia e arquitetura.

Você é polímata?

Quase todos os grandes gênios da humanidade foram polímatas. A palavra polímata vem do grego e significa “aquele que aprendeu muito“. Um polímata é todo aquele cujo conhecimento não fica restrito a uma única área.

Como vivemos em um mundo onde tudo gira em torno do dinheiro, as pessoas que mais se destacam são aquelas que atingem o sucesso financeiro. É o caso dos grandes empresários que acumulam grandes fortunas.

Sucesso financeiro é fácil de observar e mensurar, mas seria interessante poder mensurar o desenvolvimento dessas pessoas em outras áreas, pois o sucesso financeiro é apenas uma consequência. Nossos resultados profissionais e financeiros derivam do sucesso que atingimos em outras áreas do nosso desenvolvimento pessoal.

Leonardo da Vinci utilizava seus estudos sobre matemática e anatomia para aperfeiçoar as obras de arte encomendadas pelos seus clientes.

O atual homem mais rico do mundo, o empresário Bill Gates, costuma ler mais de 50 livros por ano. Quantas pessoas você conhece que costuma ler mais de 50 livros e que fez isso nas últimas décadas? Gates possui um blog na internet onde divulga comentários sobre os seus livros preferidos, veja aqui. Ele tem uma empresa de tecnologia, mas se interessa por livros das mais diversas áreas.

Certamente essa variedade de interesses e conhecimentos amplia o leque de possibilidades, imaginação e a criatividade de grandes gênios.

Visão limitada do mundo

Liminar sua área de interesse significa limitar usa visão de mundo.

Essa limitação reduz a sua capacidade de enxergar diversas possibilidades e caminhos diante de determinadas situações da vida. É como usar aquele acessório chamado de “antolhos” que colocam na cabeça dos cavalos para limitar sua visão e forçá-lo a olhar apenas para a frente, e nunca para os lados (onde existem outros caminhos).

Muitas vezes as oportunidades, as novas ideias, invenções e a criatividade não são óbvias, não estão bem na frente dos nossos olhos. Muitas vezes é necessário olhar para os lados, investigar outros conhecimentos para que novas ideias possam surgir.

Se a pessoa tem seus conhecimentos restritos, vai se limiar ao senso comum. Quando ela carrega uma grande bagagem de conhecimentos, das mais diversas áreas, a criatividade (que muitos chamam de combinatividade) acaba se expandindo.

Quantos comerciantes e profissionais liberais não crescem por não saberem lidar corretamente com as pessoas, clientes e funcionários? Dominam o conhecimento do negócio, mas não sabem lidar com as pessoas e graças a isso perdem clientes até quebrar.

Quantas pessoas não prosperam em seus negócios por não expandirem seus conhecimentos nas áreas de vendas e marketing?

Quantas famílias e empresas enfrentam problemas financeiros por falta de conhecimento básico sobre matemática financeira, planejamento, orçamento e investimentos?

Quantas pessoas estão nesse momento destruindo a própria saúde por falta de conhecimentos sobre os alimentos e o funcionamento do próprio corpo?

O mundo está repleto de pessoas que só entendem sobre uma ou duas coisas com profundidade. Isso cria pessoas medianas que colhem resultados abaixo da média em todas as áreas da vida. Poucas estão nesse exato momento buscando o conhecimento que precisam para melhorar em cada área, para que possam se diferenciar, saindo da média e do senso comum. Sabem muito de pouco e quase nada sobre todo o resto.

Homem universal

Cada novo conhecimento dominado é como uma porta de oportunidades que ilumina a escuridão da nossa ignorância.

Tudo isso, inevitavelmente, cria uma vida deficiente e limitada.

Devemos buscar ser aquilo que os renascentistas chamavam de “homo universalis” (do latim “homem universal”) que seriam os homens e mulheres que buscam o conhecimento em várias áreas e com isso elevam a média de toda a humanidade.

Renascentistas como Michelangelo e Leonardo da Vinci acreditavam que o ser humano era forte e ilimitado em suas capacidades, por esse motivo, todos deveriam abraçar todo o conhecimento possível e desenvolver as suas capacidades até o limite máximo.

Através dessa visão da realidade, os renascentistas passavam a vida procurando desenvolver suas habilidades em todas as áreas do conhecimento. Quantas pessoas você conhece que se desenvolveram nas áreas das exatas, humanas e das artes ao mesmo tempo? Quantos engenheiros, matemáticos ou arquitetos você conhece que também se destacam como bons poetas, músicos, escultores ou artistas? Quantos artistas, músicos e atletas buscaram desenvolvimento na área de finanças?

Nascemos gênios e nos transformam em tolos

Quando somos crianças tendemos a nos desenvolver como humanos universais.

Nascemos polímatas, pois nos interessamos por tudo. Crianças possuem curiosidade ilimitada e sentem enorme prazer em descobrir coisas novas e aprender com essas descobertas.

Com o tempo, o modelo de ensino que temos hoje faz o trabalho de destruir isso. Professores despreparados e desmotivados dentro de uma estrutura arcaica (que lembra uma fábrica ou um quartel) transformam o conhecimento em algo chato, penoso e cansativo.

Adquirir conhecimento se torna quase um mal necessário na vida das crianças.

A escola faz o trabalho de separar a vida real e o conhecimento. Ela esquarteja o conhecimento em inúmeras matérias que não se comunicam entre si. Professores diferentes, que sabem muito de uma coisa só e nada sobre as outras coisas, apresentam pedaços do conhecimento a cada aula. Esses pedaços também não se comunicam e por isso perdem o sentido.

No final, não sabemos o que fazer com todos os pedaços de conhecimento que nos obrigaram a decorar.  Jogamos tudo fora. Peças que não se encaixam são inúteis em um quebra-cabeça.

Quando saímos da escola e entramos na faculdade o problema volta a acontecer no vestibular. Alguém pergunta qual é a profissão que você deseja seguir pelo resto da vida. Você escolhe uma e ignora o conhecimento de todas as outras.

Você passa a ser alguém que sabe muito de pouco e pouco sobre todo o resto.

Interesse alheio

É muito provável que isso satisfaça muitos interesses. Imagine o que aconteceria se o mundo estivesse repleto de pessoas polímatas e geniais. Muitas ideias velhas e ultrapassadas entrariam em atrito com ideias novas, criativas e revolucionárias. Pessoas bem informadas e inteligentes são difíceis de comandar, controlar e enganar.

Um mundo repleto de pessoas geniais seria um mundo instável que sofreria profundas mudanças.

Não espere que ninguém se interesse pelo seu próprio crescimento, pois o que ocorre é justamente a exploração da sua ignorância nas mais diversas áreas do conhecimento.

Imagine a quantidade de empresas que possuem seus negócios baseados na ignorância financeira, ignorância alimentar, ignorância com relação aos nossos maus hábitos.

Imagine como seria o mundo se a maioria tomasse a decisão de buscar mais conhecimento sobre todas as áreas importantes da vida.

Algumas mentes que passaram por aqui foram tão excepcionais que mudaram o mundo. Não precisamos de tanto. Se você for capaz de mudar a sua própria vida, já terá dado a sua contribuição para mudar uma pequena parte do mundo, aquela parte que só você pode mudar.

Se você gostou desse artigo, recomendo a leitura do meu novo livro Resistência: a força que se opõe a você, (visite aqui e saiba como).

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