O que mais motiva você no seu trabalho? É o dinheiro que você ganha no final do mês? É o prazer de fazer bem feito aquilo que você ama fazer?

Você sente orgulho do trabalho que realiza?

Quais atividades você só faz por receber uma remuneração? Quais deixaria de fazer se não fosse mais pago por elas? Se não precisasse mais de dinheiro para viver, quais atividades profissionais você faria apenas por gostar de ser útil na vida das pessoas?

Imagine como seria poder fazer aquilo que você ama fazer e ao mesmo tempo ser bem remunerado por isso.

Hoje eu trabalho por amor ao que faço e consigo ser remunerado por isso. Foi um sonho realizado, mas nem sempre foi assim.

Sei que é difícil construir as condições que permitem conciliar o trabalho, dinheiro e amor por uma atividade profissional.

Não é uma coisa que você irá conquistar do dia para a noite. Atingir essa conciliação dependerá de diversas decisões acertadas que você deverá fazer durante uma vida inteira. Muitas formas de resistência terão de ser superadas. Além das suas próprias resistências internas, ainda terá de enfrentar a resistência de pessoas próximas.

Para poder viver daquilo que escrevo, dos estudos que faço e compartilho na internet através dos meus sites, livros e cursos, tive que trilhar um longo caminho com paciência e persistência. Tive que preparar a base para a transição entre o trabalho por dinheiro e o trabalho pelo amor. Superei as opiniões de pessoas que gostariam de fazer o mesmo, mas que sentem medo. Superei meus próprios medos, modifiquei meus hábitos e adquiri os conhecimentos necessários para essa mudança.

O esforço compensa em todos os sentidos, incluindo no financeiro. É justamente quando tiramos o foco do trabalho pelo dinheiro, que o dinheiro mais aparece na nossa vida. Entender esse mecanismo é simples.

Quando trabalhamos naquilo que gostamos, tendemos a nos aperfeiçoar, caprichar e melhorar a cada dia. Os seus clientes, chefes e o mercado inteiro conseguem perceber que você faz o que faz por amor ao que faz.

Esse amor fica impresso no seu trabalho. Um trabalho bem feito é valorizado e desejado por todos. Gostamos de nos aproximar e de contratar pessoas que amam o que fazem. Aceitamos pagar mais por trabalhos feitos pelo amor e não apenas pelo dinheiro.

O dinheiro aparece como uma consequência quando ele não é a prioridade das suas ações.

Atingir o seu equilíbrio financeiro ou até uma maior independência financeira, ajuda muito nesse processo de transição. Por isso é importante investir na sua educação financeira. É ela que vai proporcionar uma vida financeiramente tranquila que possa servir de base para grandes mudanças profissionais e de vida.

Depois disso, basta assumir o controle da sua própria vida. É uma tarefa difícil. Fazer o que você quer e não o que os outros esperam que você faça, significa desafiar a resistência dos outros. Significa buscar mais sabedoria e desenvolver valores e virtudes que permitam superar aquela força interior que cria as barreiras internas para as grandes mudanças que queremos realizar.

Muitos dos meus leitores descrevem o desejo de mudança profissional. Alguns atingiram um maior nível de estabilidade financeira e agora querem partir para uma vida profissional mais gratificante e bem remunerada.

Eu acredito que a nossa felicidade dependa dessa conciliação entre trabalho, dinheiro e amor pelo que fazemos.

Trabalho com amor e sem amor

Acredito que muitos problemas vividos por nossa sociedade, que afetam todos nós, tenham uma forte relação com uma vida dedicada ao trabalho sem amor, apenas pelo dinheiro. Muitos desequilíbrios pessoais e sociais se originam desse estilo de vida deficiente.

Você sabe o que é trabalho com amor e trabalho sem amor? É fácil entender.

O trabalho com amor é aquele baseado na seguinte pergunta:
“Como posso fazer o meu melhor esforço para servir as pessoas?”.

O trabalho sem amor é aquele baseado na pergunta:
“Como posso fazer o meu menor esforço para ser servido pelas pessoas?”

Por exemplo, um empresário que trabalha com amor pelo que faz está sempre buscado novas formas de entregar o maior valor possível para os seus clientes, mesmo com todas as dificuldades que enfrenta.

Já o empresário que trabalha sem amor pelo que faz está sempre buscando formas de tirar o maior valor possível dos clientes. É a diferença entre fazer o melhor esforço pelo que você ganha ou o menor esforço pelo que ganha. Os clientes percebem a diferença. O sucesso nos negócios muitas vezes depende disso.

Não existe nada mais desmotivador, estressante e degradante do que trabalhar em uma atividade que não gostamos apenas pelo dinheiro que ela proporciona.

Isso pode até funcionar no curto ou no médio prazo, mas manter esse estilo de vida para sempre tende a ser insuportável para a maioria das pessoas. A saúde mental e física acaba se degradando quando nossa vida se resume a assumir o papel de uma máquina de fazer dinheiro e pagar contas.

O ser humano é muito grande para viver de maneira tão pequena.

Não é natural, apesar de ser comum, sofrer durante os cinco dias úteis da semana esperando a vida que só poderá ser vivida no fim de semana.

Não faz parte da nossa natureza ir para o trabalho na segunda-feira como se estivéssemos indo para a masmorra para realizar trabalhos forçados até a abertura da cela no fim de semana. Se isso é a sua vida, isso é um problema. Esse problema vai acabar com você caso você não acabe com ele primeiro.

Só não podemos afirmar que isso é uma escravidão, por esse estilo de vida ser o resultado de escolhas que você fez.  A pior escravidão é aquela onde o escravo não percebe que está escravizado.

Diante disso, é fácil compreender a origem das frustrações, desmotivação, ansiedade e tristeza com a nossa própria vida pessoal e profissional. É natural ter resultados financeiros ruins ou exagerar no “consumismo sem propósito” quando vivemos frustrados em busca de “brinquedos” que funcionem como prêmios de consolação ou anestesia para uma a vida profissional frustrante que mantemos.

Nada mais desmotivador do que uma vida mecânica que passa como se fosse um eterno loop (um eterno retorno) onde um novo dia parece ser a cópia do dia anterior.

Gaiola aberta

Imagine se você fosse um pássaro que nasceu em cativeiro e nunca soube o que é voar. Você vive na sua gaiola sem desejar sair, sem desejar voar, pois você não pode desejar algo que não sabe que existe. Mesmo se a porta da gaiola fosse aberta, você sentiria medo de sair, medo da altura, medo do novo, do desconhecido e até medo das suas asas não funcionarem.

O problema é que mesmo tendo tudo dentro da sua gaiola, alguma coisa dentro de você o deixa triste, frustrado e ansioso por algo que não entende o que é.

Você não entende a origem da tristeza. Aparentemente você tem tudo. Tem comida, água e tudo que precisa dentro da sua gaiola. O seu dono compra pequenos brinquedos para decorar sua gaiola, você se anima por um tempo com a novidade e logo retorna para o sentimento de que está faltando alguma coisa.

A natureza equipou os pássaros para voar e algo dentro da natureza do pássaro diz que ele só será completo se fizer aquilo para o qual nasceu para fazer.

A vida das pessoas não é muito diferente desse exemplo do pássaro na gaiola. As vezes esquecemos desse detalhe, mas assim como os pássaros, nós também somos parte da natureza e nascemos equipados para fazer uso daquilo que nos diferencia de todos os outros seres.

O que diferencia o pássaro dos outros seres é a capacidade de voar. O que diferencia os homens e mulheres dos outros seres é a capacidade de usar a razão para escolher qual papel iremos assumir na vida, diante da sociedade e da humanidade.

Existem pessoas que nascem com o sonho de ensinar, construir, curar, inventar, reformar, pesquisar, descobrir, navegar, transformar, organizar, liderar, julgar, defender, salvar, plantar, gerenciar, etc. Para cada verbo temos inúmeras profissões ou maneiras de servir a sociedade.

Cada pessoa que nasce é uma pequena engrenagem que faltava para aperfeiçoar e perpetuar a humanidade através de algum trabalho valoroso que possa fazer.

Quando você está no lugar errado, fazendo o que não gosta, se torna a engrenagem errada no lugar errado que atrapalha o funcionamento de toda a máquina.

O médico e a engrenagem

Veja o caso desse servidor público que apareceu nessa reportagem aqui.

Existem pessoas que entram no serviço público para realizar o sonho de servirem a sociedade através da profissão que amam exercer. Também existem pessoas que entram no serviço público buscando apenas dinheiro, estabilidade, poder e vantagens. Servir as pessoas, o país e a profissão fica em segundo plano.

Essas pessoas que entram no serviço público pensando apenas no dinheiro são como a engrenagem no lugar errado. São elas que fazem a máquina pública não funcionar como a sociedade espera.

Para piorar a situação, uma engrenagem ruim prejudica o funcionamento das engrenagens boas. Quando a engrenagem ruim não é substituída, todo o sistema se nivela por baixo e se deteriora. No fim, todo o serviço público acaba sendo malvisto pela população.

A melhor coisa que um servidor público infeliz com o seu trabalho pode fazer é deixar o serviço público. A melhor coisa que um profissional liberal infeliz pode fazer é mudar de profissão. O mesmo vale para quem está na iniciativa privada, caso não seja demitido antes.

Trabalhar naquilo que não gostamos é uma violência contra nós mesmos. No curto prazo é suportável, mas no longo prazo nos deteriora, adoece o nosso corpo e corrompe a nossa alma.

Se não respeitamos nós mesmos e nos violentamos fazendo o que não gostamos, imagine o que não iremos fazer com as pessoas que entram em contato com o nosso trabalho.

Quando você trabalha naquilo que odeia, acaba se tornando uma engrenagem no lugar errado que atrapalha a vida das pessoas, que torna o mundo onde vivemos um pouco pior a cada dia.

Eu tenho certeza que ninguém nasceu com o desejo de ser uma engrenagem que atrapalha a vida dos outros.

O marceneiro

Recentemente estava conversando com uma pessoa que contratou um marceneiro para construir móveis para a sua casa. Esse marceneiro é um pequeno empreendedor, dono da sua própria marcenaria.

Durante a instalação dos móveis o marceneiro parava o que estava fazendo apenas para contemplar a beleza da sua obra. Me falaram que era perceptível, no seu semblante, a satisfação de fazer um trabalho bem feito, o encantamento pela perfeição e beleza dos móveis que estava instalando com a ajuda de dois colaboradores.

No final da instalação, ele pediu autorização da dona do imóvel para tirar fotos. Disse para ela que: para o cliente aquilo era apenas um móvel de madeira, mas para ele cada móvel era como se fosse um filho. Ele gostava de guardar as fotos de cada um dos seus filhos (os móveis que produzia).

Um trabalho bem feito é como um filho. É algo que fecundamos, gestamos e trazemos para o mundo através da nossa mente e das nossas mãos. É um pedaço da nossa vida (tempo) que transformamos em algo. É nossa participação no trabalho da criação.

“Fala Moisés!”

Dizem que Michelangelo (famoso artista renascentista) teve delírios quando terminou de esculpir uma de suas obras-primas, a estátua de Moisés (figura logo abaixo). Ele ficou tão emocionado com a beleza da sua obra que começou a bater com o seu martelo na escultura enquanto gritava em italiano: “Perché non parli?” que significa: Por que você não fala?

Imagine se você pudesse considerar o seu trabalho uma verdadeira obra prima, ao ponto de se emocionar como Michelangelo.

Moisés é uma das principais obras do artista renascentista Michelangelo. Foi esculpida entre 1513 e 1515. Tem 2,35 metros de altura e está na Basílica de San Pietro in Vincoli, Roma.

Não tenho nenhuma dúvida que uma pessoa assim vive mais feliz e realizada do que o médico que apareceu na reportagem fazendo o menor esforço possível para ganhar o máximo possível no final do mês.

O médico da reportagem vive uma vida miserável. Ele se tornou um batedor de ponto. Mesmo tendo dinheiro no bolso para comprar todas as quinquilharias que precisará comprar para aliviar a frustração de fazer o que não gosta, ele está prejudicando as pessoas em troca de dinheiro.

Médico verdadeiro ou comerciante de medicina? Como você poderá ver no pequeno trecho desse filme aqui, existe uma enorme diferença. Quantas pessoas conhecemos que se limitam a ser comerciantes de suas profissões, que só querem recolher juros dos custos que tiveram para se formar?

Quem sabe o sonho do médico que apareceu na reportagem não fosse ter sido marceneiro ou um artista como Michelangelo?

Talvez tenha se iludido com a ideia de que seria melhor investir em uma profissão que remunera melhor, mesmo sem gostar do que faz. O resultado foi a construção de uma vida pequena, onde faz pouco, mal feito e ainda prejudica os demais.

O marceneiro que citei no artigo é muito bem remunerado, apesar de não ter um diploma na parede. Sua agenda é lotada de clientes. Se você já encomendou móveis planejados sabe quanto eles custam e como é raro encontrar bons marceneiros. Nos dias de hoje, uma pessoa como Michelangelo teria a internet para divulgar o seu trabalho artístico e não faltariam clientes.

O sucesso profissional e financeiro não depende do seu diploma. Depende do trabalho que você vai realizar com os seus conhecimentos para servir as pessoas (seus clientes ou os clientes do seu patrão).

O sucesso financeiro pode ser plenamente conciliado com o sucesso profissional na atividade que você realmente gosta de fazer.

Só que isso não vai cair do céu. É necessário fazer um bom planejamento para conduzir sua vida para essa realidade onde trabalho, dinheiro e amor em servir se encontram.

Espero que você possa olhar para o resultado do seu trabalho e, enlouquecido com a beleza da sua obra, possa gritar: “Perché non parli?”

Se você gostou desse artigo, recomendo a leitura do meu novo livro Resistência: a força que se opõe a você, (visite aqui e saiba como).

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